É impressionante como Paulo acertou em tudo o que escreveu sobre o amor. Peguem os textos de Paulo e troquem todas as afirmações por negações e todas as negações por afirmações. Verão após isso que todas as frases estão corretas, se trocarem o sentido. Explicando formalmente, é como:
O que Paulo escreveu sobre o amor = PsA ^ Amor = A
Ou seja: ~ (PsA) = A
E: PsA = ~A
domingo, 27 de mayo de 2018
sábado, 26 de mayo de 2018
Mucho se discute sobre el valor del entrenamiento y de lo esforzó. Comparándose con la importancia que hay en el “don” individual. En cuanto este sería una dádiva dada a cada un y cada uno ha nacido con la suya. El entrenamiento es una serie de actividades que son realizadas por uno y que le permiten mejorar en la arte a que se ha dedicado.
La dádiva no es escoja de el individuo, en este sentido no hay mérito en cuestiones de dádiva. La dádiva solo existe se has nacido con ela. Las cuestiones de mérito son aquellas en las cuales las opciones que el individuo elegí son determinantes por el resultado de aquellas cuestiones. Y, en claro, no eliges nadie de antes de nacer. Yo creo que las ideas de mérito tienen ganado fuerza en el contexto del surgimiento de las ideas de tabla rasa, en la cuna del empirismo. Por creer que las dádivas no existen, dado que somos seres que conocen solo por la experiencia y nacimos sin ninguna cualidad en nosotros, o sea, con la mente vacía. Así, cuando focalizamos a el empirismo, lo vemos a nacer en Inglaterra, la cuna de la revolución industrial.
El entrenamiento es una serie de prácticas y actividades de uno con el intuito de mejorar en algo. Lo que llamamos entrenamiento y esfuerzo implica y puede invocar a varias cosas. La práctica de la repetición en algo. Los ejercicios ordenados por un entrenador. Y muchas otras.
Él presupone un principio de desenvolvimiento. Presupone de que hacer lo mismo al largo de mucho tiempo es hacer lo diferente, por lo que se mejora en cualidad y eficacia en el ejercicio.
Lo primero presupone talento.
El segundo, trabajo.
Puesto que no hay necesidad de creer en solo uno. No hay razón por lo que si crees que hay un talento que es mejor que cualquier entrenamiento, mismo así, no se debe dejar de aprender técnicas nuevas de las cuales no se ha accedido en la naturaleza.
Y si se cree en las técnicas, no hay por lo que desconsiderar lo sorprendente, que aparece en todos los campos de actuación humanos.
Por eso, ambas ideas son/pueden ser muy bien fundamentadas - pero, aún necesitan ser mejor probadas. Lo que se hace necesario es comprender a esta dupla face de la cuestión. Lo mutable y lo inmutable que aparecen en los casos.
La dádiva no es escoja de el individuo, en este sentido no hay mérito en cuestiones de dádiva. La dádiva solo existe se has nacido con ela. Las cuestiones de mérito son aquellas en las cuales las opciones que el individuo elegí son determinantes por el resultado de aquellas cuestiones. Y, en claro, no eliges nadie de antes de nacer. Yo creo que las ideas de mérito tienen ganado fuerza en el contexto del surgimiento de las ideas de tabla rasa, en la cuna del empirismo. Por creer que las dádivas no existen, dado que somos seres que conocen solo por la experiencia y nacimos sin ninguna cualidad en nosotros, o sea, con la mente vacía. Así, cuando focalizamos a el empirismo, lo vemos a nacer en Inglaterra, la cuna de la revolución industrial.
El entrenamiento es una serie de prácticas y actividades de uno con el intuito de mejorar en algo. Lo que llamamos entrenamiento y esfuerzo implica y puede invocar a varias cosas. La práctica de la repetición en algo. Los ejercicios ordenados por un entrenador. Y muchas otras.
Él presupone un principio de desenvolvimiento. Presupone de que hacer lo mismo al largo de mucho tiempo es hacer lo diferente, por lo que se mejora en cualidad y eficacia en el ejercicio.
Lo primero presupone talento.
El segundo, trabajo.
Puesto que no hay necesidad de creer en solo uno. No hay razón por lo que si crees que hay un talento que es mejor que cualquier entrenamiento, mismo así, no se debe dejar de aprender técnicas nuevas de las cuales no se ha accedido en la naturaleza.
Y si se cree en las técnicas, no hay por lo que desconsiderar lo sorprendente, que aparece en todos los campos de actuación humanos.
Por eso, ambas ideas son/pueden ser muy bien fundamentadas - pero, aún necesitan ser mejor probadas. Lo que se hace necesario es comprender a esta dupla face de la cuestión. Lo mutable y lo inmutable que aparecen en los casos.
Como buscas as paixões?
Introdução
Creio que essa curiosidade, sobre o melhor método para investigar as paixões, tenha nascido na mesa de um bar. Quando um amigo, com ar superior, discorria sobre não ter gostado de seu primeiro ano de graduação, no que disse algo como “logo que eu entrei lá, no primeiro semestre, teve um curso inteiro de Spinoza e eu detestei porque acho que é errado falar das paixões daquela forma cartesiana dele”.
Sobrou-me cá pra mim a questão, qual é a melhor forma, ou ao menos, qual seria uma forma adequada de tratarmos as paixões?
Quero dizer, a única forma de tratarmos das paixões é estarmos apaixonados? Ou seja, na forma dos versos de um poeta? Seria o mesmo que dizer que só podemos estudar a loucura internados num manicômio ou a cegueira apenas se não vermos nada - o que é absurdo.
Assim nos questionamos qual é a melhor forma de tratar uma investigação de acordo com um objeto. Devemos questionar-nos antes, o que é este objeto? Ou podemos fixar-nos num método único para encontrar todas as coisas.
Aqui escolhemos o Descartes para guiar a investigação porque este autor tem um celebríssimo texto apenas sobre o método. É dele a frase “melhor caminhar pelo caminho certo do que correr pelo errado”. Começamos por entender seu método, depois sua teoria das paixões para entrar tratar da união de ambos.
O Método em Descartes
Em seu tempo René Descartes cria na unicidade da Ciência. Vendo as todas, apesar de sua diversidade em objetos, como uma estrutura - como é apresentado na imagem da árvore, com suas raízes, tronco e galhos. Nesse sentido, para ele o método que guia essas ciências deve também ser uno, e citando Franklin Leopoldo e Silva:
“Essa ideia significa que a ciência é una, apesar da sua diversidade de objetos. Significa também que, desde os fundamentos até os últimos resultados que deles possam derivar, existe uma unidade que é principalmente proveniente da unidade do espírito que investiga a evidência dos diversos conteúdos. Por isso a ciência não poderá, na sua estrutura básica, progredir, pois o acúmulo de contribuições sucessivas não altera o perfil sistemático do saber. E a razão disso é ainda o método: a unidade do método é determinante da unidade da ciência.”
Em Descartes está claro que enquanto não se tem seguido um método único, o conhecimento não passava de mera opinião. Em seu Discurso ele é muito claro ao citar o caso de Esparta:
“Assim, imaginei que os povos, que, tendo sido outrora semi-selvagens e só pouco a pouco se tendo civilizado, não elaboraram suas leis senão à medida que a incomodidade dos crimes e das querelas a tanto os compeliu, não poderiam ser tão bem policiados como aqueles que, a começar do momento em que se reuniram observaram as constituições de algum prudente legislador. [...] . E, para falar das coisas humanas, creio que, se Esparta foi outrora muito florescente, não o deveu à bondade de cada uma de suas leis em particular, visto que muitas eram bastante alheias e mesmo contrárias aos bons costumes, mas ao fato de que, havendo sido inventadas apenas por um só, tendiam todas ao mesmo fim”
Descartes crê que “um Estado é bem melhor dirigido quando, tendo embora muito poucas [leis, estas] são estritamente cumpridas”. Assim, de maneira clara e sucinta Descartes enuncia seus quatro princípios. Sendo esses:
Clareza e Distinção: “O primeiro era o de jamais acolher alguma coisa como verdadeira que eu não conhecesse evidentemente como tal; isto é, de evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção, e de nada incluir em meus juízos que não se apresentasse tão clara e tão distintamente a meu espírito, que eu não tivesse nenhuma ocasião de pô-lo em dúvida”
Para Franklin:
“A primeira regra supõe duas atitudes daquele que busca a verdade. De um lado, deve evitar a prevenção, isto é, não formular juízos a partir de preconceitos e prejulgamentos ou de opiniões simplesmente recebidas; de outro lado, evitar igualmente a precipitação, ou seja, não efetuar um juízo até que a ligação entre os termos representados apareça com inteira clareza e total distinção”
Análise: “O segundo, o de dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas quantas possíveis e quantas necessárias fossem para melhor resolvê-las”
Cito:
“A segunda regra pressupõe a anterioridade dos elementos simples sobre as composições. Trata-se de uma ideia tradicional da filosofia, mas Descartes confere a ela um teor matemático, já que a divisão das dificuldade é pensada por ele segundo o modela da decomposição de equações complexas ou da redução de múltiplos aos seus multiplicadores”
Ordem: “O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros”
Cito:
“A terceira regra é a que permitirá a dedução como forma de ampliar o saber. A importância da ordem está em que cada elemento que entra no sistema deve o seu valor à posição que ocupa num determinado conjunto. Por isso o encadeamento é essencial para a demonstração da verdade”
Enumeração: “E o último, o de fazer em toda parte enumerações tão completas e revisões tão gerais, que eu tivesse a certeza de nada omitir”
E Franklin:
“Finalmente, o preceito da enumeração pode ser visto, em parte, como síntese, já que percorre em sentido inverso o caminho feito pela análise, numa recuperação da visão da totalidade do conjunto”
“Embora todas as regras possuam igual valor, a primeira se sobressai, tendo em vista que é por meio dela que melhor se nota o caráter de visão intelectual que a verdade tem para Descartes. Uma representação clara e distinta é aquela em que a verdade manifesta-se a um espírito atento a a partir de dois requisitos: primeiramente, a simplicidade ou o caráter elementar da representação; em segundo lugar, a separação de uma dada representação das demais que com ela se poderiam confundir”
O Filósofo diz inspirar-se nas longas cadeias de razões das quais se servem os geômetras, nesse sentido, todos os conhecimentos possíveis aos homens seguiriam-se da mesma forma. Duvidando de verdades que não o sejam, para ele, não haveria nenhuma verdade tão distante ou escondida que fosse impossível de buscar. No Discurso ele afirma:
“Essas longas cadeias de razões , todas simples e fáceis , de que os geômetras costumam servir-se para chegar às suas mais difíceis demonstrações, haviam-me dado ocasião de imaginar que todas as coisas possíveis de cair sob o conhecimento dos homens seguem-se umas às outras da mesma maneira e que, contanto que nos abstenhamos somente de aceitar por verdadeira qualquer que não o seja, e que guardemos sempre a ordem necessária para deduzi-las umas das outras, não pode haver quaisquer tão afastadas a que não se chegue por fim, nem tão ocultas que não se descubram.”
Inclusive ele salienta o papel das matemáticas na busca pela verdade na ciência:
“E não me foi muito penoso procurar por quais devia começar, pois já sabia que haveria de ser pelas mais simples e pelas mais fáceis de conhecer; e, considerando que, entre todos os que precedentemente buscaram a verdade nas ciências, só os matemáticos puderam encontrar algumas demonstrações, isto é, algumas razões certas e evidentes, não duvidei de modo algum que não fosse pelas mesmas que eles examinaram; embora não esperasse disso nenhuma outra utilidade, exceto a de que acostumariam o meu espírito a se alimentar de verdades e a não se contentar com falsas razões”.
Para Descarte, em seu método, o conhecimento sempre é construído pela razão buscando “abstrair todas as condições materiais e psicológicas que poderiam influir no pensamento”. Cito: “A partir daí, é no próprio método que o sujeito visa à representação mas no nível do puro pensamento, e não enquanto sujeito psicológico ou psico-fisiológico”.
Subjetivando este conhecimento: “A verdade é algo a ser procurado no próprio sujeito, na ciência que está nele mesmo”.
Recordo-me como chiste que Nietzsche claramente refere-se a Descartes quando ironicamente refere-se à “ingênuos acostumados à introspecção”, no aforismo 16 de Além do Bem e do Mal: “Ainda há ingênuos acostumados à introspecção que acreditam que existem "certezas imediatas", por exemplo, o "eu penso" ou, como era a crença supersticiosa de Schopenhauer, o “eu quero”; como se nesse caso o conhecimento conseguisse apreender seu objeto pura e simplesmente, enquanto "coisa em si" sem alteração por parte do objeto e do sujeito”.
O método vai de encontro com uma verdade no sujeito, ou seja, uma verdade subjetivada. Não sendo essa verdade subjetiva em si, porém sim, seguindo-se da subjetividade como fundamento da verdade. Cito:
“Se os requisitos metódicos forem cumpridos, a representação não poderá ser colocada em dúvida, e a certeza do sujeito corresponderá à evidência, que é uma visão objetiva da verdade. O método proporciona então o encontro de uma verdade subjetiva, isto é, no sujeito. Essa verdade subjetiva é, no entanto, profundamente diversa da apropriação subjetiva da verdade proposta pela tradição e aceita simplesmente pelo sujeito. Pois foi por via metódica que o filósofo encontrou a verdade enquanto evidência, e o caráter subjetivo que ela agora possui não decorre de condições subjetivas no sentido histórico ou psicológico, e sim da subjetividade como lugar e fundamento da verdade”.
As Paixões em Descartes
Para seguir nossas investigações importante se faz restringir bem o espaço das paixões na investigação de Descartes. Elas alocam-se no seio da filosofia moral, remeto-me novamente à imagem da árvore dada acima. A árvore do conhecimento de Descartes põe a Metafísica como base, simbolizada pelas raízes da árvore. Enquanto a Física é o tronco, enquanto os galhos são as ciências, sendo as principais: mecânica, medicina e moral. E cito o Lívio Teixeira:
“Descarte se refere à mecânica, à medicina e à moral como os galhos da árvore da sabedoria, da qual a metafísica constitui a raiz e a física, o tronco. Aquelas três aplicações práticas dependem do fundamento metafísico e dos conhecimentos técnicos da física. Ora, verificamos, quanto à medicina, que Descartes desenvolveu a sua doutrina começando pelas partes que nela se podiam tratar do ponto de vista puramente mecânico, considerando o corpo do homem como qualquer corpo animal, isto é, como uma máquina. Este desenvolvimento diz respeito só à subtância extensa e seus movimentos. Acabou, porém, introduzindo, com a necessidade de considerar a ação da alma sobre o corpo, elementos que dizem respeito não mais à substância extensa, mas À união substancial da alma e do corpo. Já vimos que este tema não constitui nenhum acréscimo heterogêneo ao sistema cartesiano, mas um desenvolvimento natural do mesmo”.
“Pode-se, pois, concluir que Descartes entendia que os fundamento metafísicos e físicos das ciências aplicadas, representados pelos galhos da árvore, não excluíam de modo algum, antes exigiam, para as ciências referentes ao homem, a consideração dos fenômenos ligados à união substancial da alma e do corpo”.
O que são paixões?
Descartes para seguir sua investigação sobre as paixões da alma traça uma distinção entre ações e paixões. Sendo tais ações todas as nossas vontades, dado que as concebemos como advindo apenas de nossa alma, e não tendo outra explicação se não ela. Enquanto as paixões seriam todos os conhecimentos e percepções que habitam em nós, dado que estes são recebidos de fora da nossa alma - esta distinção parece influenciar significativamente Espinoza (vide corolário da Prop. 1 do Livro III da Ética). E aqui cito o Lívio Teixeira:
“[...] Descartes faz, quanto aos pensamentos, uma distinção de capital importância: há pensamentos que são ações da alma e outros que são as suas paixões. Ações são todas as nossas vontades, porque experimentamos que elas vêm diretamente de nossa alma e parecem não depender senão dela; paixões são todos os conhecimentos e percepções que se acham em nós, pois que todos eles são recebidos das coisas que por elas são representados”.
A partir daí Lívio segue afirmando “De um modo geral as percepções todas são paixões da alma”. Neste momento, inicia-se uma atitude mais analítica do conhecimento das paixões. Estabelecendo assim várias distinções. Diferenciá-se então as percepções que têm a alma como causa - sendo que apesar das vontades estarem no âmbito da ações (já distinguido das paixões) a percepção das vontades permanece no âmbito das paixões da alma. Das percepções que têm o corpo como causa. E a análise se segue da divisão entre 1° as imaginações advindas do andamento imprevisível dos espíritos animais (que explicaremos mais abaixo) 2° E das percepções que seguem-se dos nervos. Sendo elas: a) sensação dos objetos exteriores b) Aquilo que sentimos mas está em nós mesmos (como calor, sede, fome e sono) c) Percepções da alma relacionadas apenas a ela mesma, das quais não se tem nenhuma causa próxima, ex. entusiasmo, raiva, etc. Sendo que normalmente se considera apenas estas últimas como paixões propriamente ditas, citando:
“Falando de um modo geral, estas três sortes de percepções são paixões da alma, pelo fato de serem percepções; mas costuma-se restringir o nome de paixão somente as percepções da última classe, isto é, as que tendo como causa o corpo, ou melhor, o movimento dos espíritos através dos nervos, não são nem percepções das coisas do mundo exterior, nem dos estados do nosso corpo, mas “ que se relacionam com a nossa alma”, isto é, que são percepções de estados de nossa alma”.
Com esta análise de todos os modos de percepção e o lugar próprio das paixões. Defini-se as paixões como “percepções, sentimentos ou emoções da alma relacionadas particularmente a ela e que são causadas, mantidas e fortificadas pelos movimentos dos espíritos animais”.
Os espíritos animais
Os espíritos animais são definidos por Descartes no art. VII da primeira parte das Paixões da Alma, diz-se “Por fim, sabemos que todos esses movimentos dos músculos, como também todos os sentidos, dependem dos nervos, que são como pequenos filetes ou pequenos tubos que provêm todos do cérebro e, assim como ele, contêm um certo ar ou vento muito sutil, a que se dá o nome de espíritos animais”. É curioso como ele define os espíritos como como “ar ou vento” sutil. Aparentemente no passado eles tinham uma sanha pneumática que é muito semelhante à elétrica em nossa época. Tanto como nós gostamos de usar “elétrico”, “energia” e “força” no passado muito de explicava com ar, vento e sopro - inclusive a própria alma - como se no passado a cabeça das pessoas fosse dominada pela mecânica e hoje somos frutos do eletromagnetismo.
Como se produzem no cérebro os Espíritos Animais
Segundo Descartes os espíritos animais são as partes mais agitadas e mais sutis que compõe o sangue. Para o autor, como o sangue tende a ir para o cérebro, apenas estas partes, que são mais sutis, conseguem adentrar as cavidades. Estes espíritos, ágeis que são, saem do cérebro através de seus poros. A partir de então os espíritos conduzem-se aos nervos e partem em direção aos músculos onde realizam suas funções de mover o corpo de diferentes formas. No texto de Descartes:
“Porém o que é mais importante considerar aqui é que todas as mais vivas e mais sutis partes do sangue, que o calor rarefez no coração, entram sem cessar e em grande quantidade nas cavidades do cérebro. E a razão que as faz dirigirem para ele em vez de qualquer outro lugar é que todo sangue que sai do coração pela grande artéria encaminha-se em linha reta para aquele lugar e que, não podendo entrar todo, porque há somente passagens muito estreitas, passam apenas aquelas suas partes que são mais agitadas e mais sutis, enquanto o restante se espalha por todos os outros locais do corpo. Ora, essas partes muito sutis do sangue compõe os espíritos animais. E para esse fim elas não precisam receber qualquer outra mudança no cérebro, exceto que nele são separadas das outras partes menos sutis do sangue. Pois o que aqui denomino espírito são apenas corpos, e não têm outra propriedade além de serem corpos muito pequenos e que se movem muito depressa, assim como as partes da chama que sai de uma tocha, de tal forma que eles não se detêm em lugar algum; e à medida que alguns entram nas cavidades do cérebro, também alguns outros saem dele pelos poros que existem em sua substância, poros esses que os conduzem para os nervos e dali para os músculos, por meio dos que eles movem o corpo de todas as diferentes formas que este pode ser movido”.
Ordem e enumeração
Como expomos anteriormente após a análise segue-se a ordem e a enumeração das paixões. E com isso para definir o critérios de ordenação das paixões citamos Teixeira (p. 182):
Descartes não visa “uma dedução científica, mas somente a uma explicação das paixões. É necessário achar um critério que nos permita pôr alguma ordem na massa confusa dos fenômenos que têm lugar no plano da união substancial. Com isso poderemos enumerar as paixões [..] verificar se há algumas que são fundamentais, e de que modo as outras se ligam a estas. Esse critério não pode ser, é claro, uma ideia rigorosamente deduzida e aplicada de acordo com as regras do método. Ele não deixa, porém, de ser o resultado de um certo número de conhecimentos que encontramos na metafísica da substância [...] a) a natureza humana é uma união da alma e corpo; b) que esta união constitui um plano de ideias confusas; c) que estas ideias, aspecto representativo dos estados corporais em nossa mente, dizem respeito ao que nos pode aproveitar ou prejudicar, isto é, ao fato de sentirmos as coisas como boas ou más para nós; d) que a utilidade das paixões consiste, por um lado, em que elas dispõem a alma a querer o que a natureza mostra que nos é útil e a persistir nesse querer; por outro lado, o mesmo movimento dos espíritos que produz em nossa alma essas disposições, produzem em nosso corpo os movimentos que servem para a execução deles. Juntando a essas noções as modificações que sofrem em nós o sentimento do nosso interesse, segundo é visto no passado, no presente, ou no futuro, bem como aquelas que vêm do fato de considerarmos os bens e os males não só em relação a nós, mas aos outros e, ainda, o que podemos chamar de intensidade das paixões, teremos os elementos necessários para essa enumeração e explicação da paixões” (grifos meus)
Conclusão
O próprio Descartes inicia o texto dizendo que “Não há nada que nos mostre melhor as defeituosas ciências que recebemos dos antigos do que o que eles escreveram sobre as paixões. [...] Embora ela não pareça ser das mais difíceis, porque, cada qual sentindo-as em si mesmo, não e tem necessidade de adotar alhures qualquer observação para descobrir sua natureza, no entanto, o que os antigos ensinaram a seu respeito é tão pouca coisa, e na maioria tão pouco digna de crédito, que não posso ver a menor esperança de aproximar-me da verdade a não ser me afastando dos caminhos que eles seguiram”.
A ausência (ou falta de qualidade) desse tema é fácil de explicar através do texto da M. Chauí: segundo “Aristóteles, só há ciência do necessário, do que é sempre idêntico a si mesmo. A ciência [..] exige a estabilidade do objeto, sendo por isso incompatível com o movimento incessante das coisas e do pensamento, isto é, com a contingência inscrita na natureza das coisas e do homem”. “Contingente é o que muda de maneira inesperada e imprevisível e até contrária a si mesmo; é o que pode acontecer tanto como não acontecer; é o que poderia ser de outra maneira”. E claramente neste sentido as paixões estão no âmbito do contingente, pois claramente as paixões humanas são uma roda da fortuna na qual uma hora se está em cima e outra está se em baixo.
No Discurso Descartes contrasta as bases poucos sólidas “Escritos dos antigos pagãos constituíam palácios apenas sobre areia e lama” com a matemática e seus sólidos e firmes fundamentos “Espantava-me de que, sendo tão firmes e sólidos os seus fundamentos, nada de mais elevado se tivesse construído sobre eles” - dando um bom gancho para outros, como Spinoza, que irão demonstrar seu sistema segundo a ordem dos geômetras.
Assim, nossa questão aqui é o que seria um bom método ou ao menos adequado de investigar as paixões. E nessa toada temos Descartes, que afirma que não quer “explicar as paixões enquanto orador, nem mesmo como filósofo moral, mas somente enquanto físico”.
Neste trabalho o nosso intuito foi confrontar o Discurso e as Paixões para ver como se relacionam seu método na sua investigação sobre as paixões.
Para nós, tendo Descartes como um pensador que subjetiva a busca pela verdade a certeza de suas investigações na clara evidência de sua busca interna através da certeza do Cogito. Ele não poderia deixar de tratar de um tema como o das paixões, dado que estas são o objeto natural de quem observa-se a si mesmo e está atento aos movimentos da própria intimidade. Como o próprio afirma que a questão “não pareça ser das mais difíceis, porque, cada qual sentindo-as em si mesmo”.
Bibliografia
Descartes, René. Discurso do Método, col. Os Pensadores. Ed. Abril
As paixões da alma. Ed. Martins Fontes
Descartes a metafísica da modernidade: Franklin Leopoldo e Silva. Ed. Moderna
Ensaio sobre a moral de Descartes – Lívio Teixeira. Ed. Brasiliense
Espinosa uma Filosofia da Liberdade – M. Chaui. Ed. Moderna
miércoles, 16 de mayo de 2018
Verbes pour aujourd'hui
1. Être - Ser/Estar
Exister, avoir une réalité: « Je pense, donc je suis ».
Conjugaison: je suis / tu es / il est / nous sommes / vous êtes / ils sont
2. Falloir - Tener que hacer.
Être nécessaire: "Il faut que tu viennes nous voir".
3. Demander - Preguntar.
Exprimer le désir que l’on a de quelque chose.
4. Connaître - Conocer.
5. Devenir - Converter
Passer d'un état à un autre: "Ils sont devenus des adultes maintenant".
6. Partir - Ir.
Quitter un lieu: "Partiras-tu à la campagne cet été? Elle est partie en voyage".
7. Agir - Actuar.
Exercer une action.
8. Garder - Mantener.
Assurer la garde, la surveillance de quelqu'un, de quelque chose.
9. Permettre - Permitir.
Autoriser, accorder.
10. Valoir - Valer.
Justifier.
11. Fermer - Cerrar.
Interdire l'accès de quelqu'un, de quelque chose en un lieu.
12. Demeurer - Permanecer.
Rester, continuer à être: "Il est demeuré marqué par l’évènement".
13. Craindre - Temer.
S'inquiéter de.
Exister, avoir une réalité: « Je pense, donc je suis ».
Conjugaison: je suis / tu es / il est / nous sommes / vous êtes / ils sont
2. Falloir - Tener que hacer.
Être nécessaire: "Il faut que tu viennes nous voir".
3. Demander - Preguntar.
Exprimer le désir que l’on a de quelque chose.
4. Connaître - Conocer.
5. Devenir - Converter
Passer d'un état à un autre: "Ils sont devenus des adultes maintenant".
6. Partir - Ir.
Quitter un lieu: "Partiras-tu à la campagne cet été? Elle est partie en voyage".
7. Agir - Actuar.
Exercer une action.
8. Garder - Mantener.
Assurer la garde, la surveillance de quelqu'un, de quelque chose.
9. Permettre - Permitir.
Autoriser, accorder.
10. Valoir - Valer.
Justifier.
11. Fermer - Cerrar.
Interdire l'accès de quelqu'un, de quelque chose en un lieu.
12. Demeurer - Permanecer.
Rester, continuer à être: "Il est demeuré marqué par l’évènement".
13. Craindre - Temer.
S'inquiéter de.
Tâches pour aujourd'hui:
- Nettoyer le mien Twitter, Pour le limiter à comptes en français, spagnol et portuguais.
- Planifier mes études.
- Planifier mes études.
Efemérides
Há 130 anos, Tesla demonstrou seu motor AC em 16 de maio de 1888 no Instituto Americano de Engenheiros Elétricos.
Hoje, o matemático e filósofo italiano, Maria Gaetana Agnesi, faria 300 anos. Ela foi a primeira mulher a escrever um livro sobre matemática. Ela também falou sobre o direito das mulheres à educação.
Hoje, o matemático e filósofo italiano, Maria Gaetana Agnesi, faria 300 anos. Ela foi a primeira mulher a escrever um livro sobre matemática. Ela também falou sobre o direito das mulheres à educação.
Efemérides
Hace 130 años, Tesla demostró su motor de CA el 16 de mayo de 1888 en el Instituto Americano de Ingenieros Eléctricos.
Hoy la matemática y filósofa italiana, Maria Gaetana Agnesi, hace 300 años. Ella fue la primera mujer en escribir un libro sobre matemáticas. También habló sobre el derecho de las mujeres a la educación.
Hoy la matemática y filósofa italiana, Maria Gaetana Agnesi, hace 300 años. Ella fue la primera mujer en escribir un libro sobre matemáticas. También habló sobre el derecho de las mujeres a la educación.
Éphémérides
Il y a 130 ans, Tesla a fait la démonstration de son moteur à courant alternatif en le 16 mai 1888 à l'American Institute of Electrical Engineers.
Le mathématician s et philosophe italienne, Maria Gaetana Agnesi ferait trois cents ans aujourd'hui. Elle a été la première femme à écrire un livre sur les mathématiques. Elle ha parlé aussi sur le droit des femmes à l'éducation.
Le mathématician s et philosophe italienne, Maria Gaetana Agnesi ferait trois cents ans aujourd'hui. Elle a été la première femme à écrire un livre sur les mathématiques. Elle ha parlé aussi sur le droit des femmes à l'éducation.
viernes, 11 de mayo de 2018
Acho que discutir a valorização desigual dos talentos na sociedade é estéril porque na realidade nenhum de nós nascemos com talento nenhum.
Explico:
O ser humano é um animal que nasceu sem capacidade de proteger-se. Tudo o que fazemos como espécie é (de forma espoliatória) dominar os recursos naturais para aumentar o bem estar do ser humano e perpetuar sua vida - nossa organização social (ou seja, política) serve apenas pra isso. Nada na nossa sociedade é determinado por uma reflexão sobre justiça ou injustiça, porém sim apenas sobre utilidade. Os talentos que, individualmente, desenvolvemos em sociedade são apenas frutos de nossas necessária organização social, ou seja, dependem do bem estar do grupo para existirem (terem algum valor).
A nossa política só existem para ampliar o bem estar de nossas sociedades, querer pensar em talentos fora disso é bobagem.
Explico:
O ser humano é um animal que nasceu sem capacidade de proteger-se. Tudo o que fazemos como espécie é (de forma espoliatória) dominar os recursos naturais para aumentar o bem estar do ser humano e perpetuar sua vida - nossa organização social (ou seja, política) serve apenas pra isso. Nada na nossa sociedade é determinado por uma reflexão sobre justiça ou injustiça, porém sim apenas sobre utilidade. Os talentos que, individualmente, desenvolvemos em sociedade são apenas frutos de nossas necessária organização social, ou seja, dependem do bem estar do grupo para existirem (terem algum valor).
A nossa política só existem para ampliar o bem estar de nossas sociedades, querer pensar em talentos fora disso é bobagem.
Um dos poucos pontos positivos que vejo no Lula, o pragmatismo com que ele pensa, é exatamente o que os petistas condenam em Ciro...
Leiam:
https://www.pragmatismopolitico.com.br/2018/05/militancia-petista-nao-engole-ciro-gomes.html
Leiam:
https://www.pragmatismopolitico.com.br/2018/05/militancia-petista-nao-engole-ciro-gomes.html
sábado, 21 de abril de 2018
Camaleão intelectual
É legal querer parecer-se com os outros, mas o mais legal é mudar radicalmente de inspiração de tempos em tempos.
jueves, 19 de abril de 2018
Spinoza
Seminário sobre as proposições 1 a 5 da parte III da Ética de Benedictus de Spinoza
O que são definições, axiomas, demonstrações, escólios e corolários?
Definições e Axiomas têm de ser claras, objetivas e apelam à intuição.
Demonstração: raciocínio que torna evidente o caráter verídico de uma proposição, ideia ou teoria
Escólios são breves anotações sobre algum texto com a finalidade de explicá-lo ou torná-lo mais claro.
Corolários são proposições que derivam, em um encadeamento dedutivo, de asserções precedentes, produzindo um acréscimo de conhecimento por meio da explicitação de aspectos que, no enunciado anterior, se mantinham latentes ou obscuros.
Cito Definições e Postulados
Prop. 1: “a nossa mente, algumas vezes, age; outras, na verdade, padece. Mais especificamente, à medida que tem ideias adequadas, ela necessariamente age; à medida que tem ideias inadequadas, ela necessariamente padece”
Primum: “entre as ideias de qualquer mente humana, algumas são adequadas, enquanto outras são mutiladas e confusas”
Autem: “”as ideias que são adequadas na mente de alguém são adequadas em Deus, enquanto este constitui a essência dessa mente”
“também aquelas que são INADEQUADAS na mente de alguém são adequadas em Deus, não enquanto Deus contém em si apenas a essência dessa mente, mas também enquanto contém, ao mesmo tempo, as mentes das outras coisas (aliarum rerum mentes)”
Deinde: “de uma ideia deve necessariamente seguir-se algum efeito, do qual Deus é a causa adequada, não enquanto é infinito,
mas enquanto é considerado como afetado dessa dada ideia
At: “desse efeito, do qual Deus é a causa, enquanto ele é afetado de uma ideia, que é adequada na mente de alguém, essa mesma mente é a causa adequada”
Ergo: “a nossa mente, à medida que tem ideias adequadas, necessariamente age”
Secundum: “de tudo que necessariamente se segue de uma ideia que é adequada em Deus, não enquanto ele contém apenas a mente de um homem, mas enquanto contém, ao mesmo tempo que a mente desse homem, as mentes das outras coisas (aliarum rerum mentes), a mente desse homem não é causa adequada, mas parcial.
Seminário:
“citar a prop. I”.
E cito a definição IV da parte 2 da Ética:
“Por idéia adequada compreendo uma idéia que, [...], tem todas as propriedades ou denominações intrínsecas de uma idéia verdadeira.”
Com propriedades intrínsecas ele exclui a propriedade extrínseca, que como ele explicar, “se refere à concordância da uma ideia com o seu ideado”
Demonstração:
Spinoza defende que as ideias adequadas em uma mente são também adequadas em Deus, ele explica isso no corolário da proposição 11 da parte 2, no qual afirma que a mente humana é parte do intelecto de Deus, e cito:
“Disso se segue que a mente humana é parte do intelecto infinito de Deus”
O Autor afirma ainda que as ideia inadequadas em uma mente são adequadas em Deus. E novamente remete-se ao corolário da proposição, no qual encontramos que Deus não constitui apenas a natureza da mente humana, porém sim também “tem ideia de outra coisa” (alterius rei etiam habet ideam).
E voltamos à demonstração:
“não enquanto Deus contém em si apenas a essência dessa mente, mas também enquanto contém, ao mesmo tempo, as mentes das outras coisas (aliarum rerum mentes)”
E para esclarecer a noção de mente das coisas, uso como referência um artigo chamado “a relação mente-corpo” de Paolo Cristofolini, traduzido na Revista Conatus:
“Agora, a mente de um objeto [...] não é constituída da ideia do seu corpo, mas é constituída da ideia que deste corpo há em Deus.”
“Visto que em Deus há o conceito de todas as coisas, todas as coisas são animadas em Deus.”
“ Deus, enquanto concebido sob o atributo da extensão, tem as ideias de todos os corpos, e enquanto concebido sob o atributo do pensamento tem as ideias de todas as mentes.
/ As nossas mentes são, como ideia, em Deus. /
Todos os objetos, todas as coisas, todos os indivíduos são parte de Deus enquanto natureza divina, enquanto infinita; este é o sentido spinozano da animação universal e da contribuição da mente a todas as coisas.”
A mente é causa adequada de uma ideia adequada enquanto esta afeta a Deus, sendo este sua causa. Dado que as ideias adequadas na mente humana são adequadas em deus.
De uma ideia sempre deve seguir-se um efeito, segundo o princípio de que não existe nada de que não se siga algum efeito - defendido na proposição 36. PQ td q existe exprime a potência de deus, q é a causa de todas as coisas.
E conclui, “logo, a nossa mente, à medida que tem ideias adequadas, necessariamente age”
A argumentação de Spinoza fica mais clara quando ele remete-se à Def. 2 segunda a qual “agimos quando - em nós ou fora de nós - sucede-se algo do qual somos causa adequada”.
Ou seja, nós agimos quando temos ideias adequadas, e nisso ele quer dizer, quando somos a causa adequada do que se passa em nós. E cito “quando da nossa natureza se segue algo que pode ser compreendido por ela”. Ou seja, quando determinamos por nós mesmos nossas próprias causas e razões. Apenas neste momento nós agimos.
Porém, Spinoza atribui as paixões às ideias inadequadas. Nesse sentido, “de tudo que necessariamente se segue de uma ideia que é adequada em Deus, não enquanto ele contém apenas a mente de um homem, mas enquanto contém, ao mesmo tempo que a mente desse homem, as mentes das outras coisas (aliarum rerum mentes), a mente desse homem não é causa adequada, mas parcial.”
Neste ponto ele volta a referenciar-se à def. 2, e dela eu cito:
“Padecemos: quando em nós sucede algo ou quando da nossa natureza se segue algo que não somos causa de não parcial”.
Creio que essa ideia ficará mais clara quando analisamos a Prop. 2 e seu respectivo escólio.
Fim do seminário da Prop. 1
Proposição 2: “nem o corpo pode determinar a mente a pensar, nam a mente determinar o corpo ao movimento ou ao repouso, ou a qualquer outro estado (se é que isso existe)”
Primum: todos os modos do pensar têm por causa Deus, enquanto ele é uma coisa pensante e não enquanto ele é explicado por um outro atributo. O que determina a mente a pensar é um modo do pensamento e não da extensão, isto é, não é um corpo.
Secundum: o movimento e o repouso do corpo devem provir de um outro corpo, o qual foi, igualmente, determinado ao movimento e ao repouso por outro,
em geral, tudo o que acontece a um corpo deve provir de Deus, enquanto ele é considerado como afetado de algum modo da extensão e não de algum modo do pensamento
isto é, não pode provir da mente, a qual é um modo do pensamento.
Ergo: nem o corpo pode determinar a mente.
Seminário da prop. 2
Citar “proposição 2”. Nesse momento o Spinoza desvincula as ações do corpo e as ações da mente, afirmando que estas não podem determinar umas às outras.
Ele argumenta que todos os modos de pensar têm como causa Deus, enquanto ele é uma coisa pensante por isso o que determina a mente é algo do âmbito de e cito “modus cogitandi est, et non extensionis”. Ou seja, Spinoza nos mostra que a mente é autônoma com relação ao corpo enquanto ela sempre é causada por Deus.
Em seguida, ele argumenta que o movimento de um corpo só é determinado pela ação de outro corpo neste, ou seja, pela relação com algo que é do âmbito da extensão e não do pensamento como é a mente.
Com esta demonstração Spinoza conclui que “nem a mente pode determinar o corpo, nem o corpo pode determinar a mente”
O escólio deixa mais claro o que isto quer dizer. Spinoza menciona o esc. da prop. 7 da parte 2 e cito “que a mente e o corpo são uma só e a mesma coisa, a qual é concebida ora sob o atributo do pensamento, ora sob o da extensão”
Sob este pretexto ele esclarece que as ações e paixões no corpo ocorrem simultaneamente às ações e paixões na alma.
Em seguida ele afirma: “ainda que essa argumentação não deixe margem para dúvida, acredito que, se não demonstrar isso por meio da experiência, os homens dificilmente se convencerão a examinar essas questões”
Nesse momento creio que fica mais ou menos claro o projeto de Spinoza, ele está alocando as paixões entre as ideias inadequadas. Assim, percebe-se que para o autor as paixões, tanto na mente quanto no corpo, elas diferenciam-se dos afetos porque estes são causados por nós mesmos e podem ser explicados apenas por nós mesmo, ou seja, destes somos causa suficiente. As paixões são aquilo que tanto na alma quanto no corpo são induzidos de fora, com causas exteriores às quais não podem ser explicadas por nós, ao menos não de maneira suficiente. Para Spinoza, as ideias adequadas são aquelas pelas quais agimos, e as inadequadas, as pelas quais padecemos.
Escólio, a Marilena Chauí diz que o escólio pode ser resumido em três proposições conflitantes:
“não sabemos tudo o que pode um corpo”
“o corpo movido pela arte de pensar da mente”
“a ilusão da liberdade da mente como liberdade da vontade”
“a mente sem poder sobre o corpo”
Ele inicia citando a Prop. 7 da Parte II
“que a mente e o corpo são uma só e mesma coisa, a qual é concebida ora sob o atributo do pensamento, ora sob o da extensão.”
Sob este pretexto ele esclarece que as ações e paixões no corpo ocorrem simultaneamente às ações e paixões na alma.
Em seguida ele afirma, e cito: “ainda que essa argumentação não deixe margem para dúvida, acredito que, se não demonstrar isso por meio da experiência, os homens dificilmente se convencerão a examinar essas questões”
“A ninguém até aqui a experiência ensinou o que o corpo fazer só pelas leis da natureza enquanto considerada apenas corpórea”
Exemplo:
- “os sonâmbulos fazem no sono muitíssimas coisas que não ousariam na vigília”.
Spinoza inicia uma espécie de exercício dialético com o adversário:
Dizem: “o corpo seria inerte caso a mente não fosse apta a pensar”
Mas: “se o corpo fosse inerte, a mente seria simultáneamente inepta a pensar” Exemplo: - “quando o corpo repousa no sono, a mente permanece adormecida junto com ele e não tem o poder de pensar, como em vigília”
Dirão: “que está só no poder da mente tanto falar quanto calar e muitas outras coisas”
“as coisas humanas dar-se-iam muito mais felizmente se nos homens estivesse igualmente o poder tanto de calar quanto de falar”
“a experiência ensina que os homens nada têm menos em seu poder do que a língua, e que nada podem menos do que moderar seus apetites”
“A bem da verdade, se não tivessem experimentado que fazemos muitas coisas das quais depois nos arrependemos, e que frequentemente, ao nos defrontarmos com afetos contrários, vemos o melhor e seguimos o pior, nada os impediria de crer que tudo fazemos livremente” “Assim o bebê crê apetecer livremente o leite, o menino irritado, querer vingança, e o medroso, a fuga” “Por sua vez, o embriagado crê falar por livre decreto da mente aquilo que depois de sóbrio preferiria ter calado”
“tudo isso mostra com clareza que tanto o decreto da mente quanto o apetite e a determinação do corpo são simultâneos por natureza, ou melhor, são uma só e a mesma coisa que, quando considerada sob o atributo do pensamento e por ele explicada, denominamos decreto e, quando considerada sob o atributo da extensão e deduzida das leis do movimento e do repouso, chamamos determinação”
Fim do seminário da prop. 2
Proposição 3: “as ações da mente provêm exclusivamente das ideias adequadas, enquanto as paixões dependem exclusivamente das ideias inadequadas”
Primum: o que constitui a essência da natureza humana não é senão a ideia de um corpo existente em ato, ideia que se compõe de muitas outras, algumas das quais são adequadas, enquanto outras são inadequadas.
Quicquid (portanto): cada coisa que se segue da natureza da mente, e da qual a mente é causa próxima, por meio da qual essa coisa tem que ser compreendida deve seguir-se ou de uma ideia adequada ou de uma ideia inadequada.
At (MAS): a mente enquanto tem ideias inadequadas, necessariamente padece.
Ergo: as ações da mente seguem-se exclusivamente das ideias adequadas e só padece, porque tem ideias inadequadas.
Seminário da prop. 3
A Marilena Chauí aborda a proposição no Vol. 2 de seu clássico Nervuras do Real. E cito:
“Espinoza parte da distinção entre a mente constituída pela ideia do seu corpo e composta de muitas outras ideias, conforme conheça, no primeiro caso, ou imagine, no segundo, as afecções corporais, isto é, as múltiplas relações do seu corpo com os demais corpos”
“Por isso, segue-se de sua natureza pensante que algumas dessas ideias sejam adequadas (sob a perspectiva da constituição, isto é, de um todo internamente disposto e auto-regulado) e outras, inadequadas (sob a perspectiva da composição, isto é, junção desordenada da multiplicidade externamente determinadas)”
A Nervura do Real, vol. II, p. 314
Com isso, mostro do texto spinozano:
“O que constitui a essência da natureza humana não é senão a ideia de um corpo existente em ato, ideia que se compõe de muitas outras, algumas das quais são adequadas, enquanto outras são inadequadas”
“Cada coisa que se segue da natureza da mente, e da qual a mente é causa próxima, por meio da qual essa coisa tem que ser compreendida deve seguir-se ou de uma ideia adequada ou de uma ideia inadequada. Mas a mente, enquanto tem idéias inadequadas, necessariamente padece. ”
E abordo a distinção ter e seguir na Chauí:
“O núcleo da demonstração é a distinção indicada pelo emprego dos verbos ter e seguir: embora paixão e ação sigam da natureza da mente, dela não seguem da mesma maneira quando a mente é apenas causa parcial do afeto - quando tem ideias inadequadas - e quanto é sua causa perfeita e completa - quando somente de sua natureza seguem ideias adequadas. Há, pois, afetos passivos e ativos.” A Nervura do Real, vol. II, p. 314
Fim do seminário da prop. 3
Proposição 4: Nenhuma coisa pode ser destruída senão por uma causa exterior.
Demonstração: Esta proposição é evidente por si mesma. Pois a definição de uma coisa qualquer afina a sua essência; ela não a nega. Ou seja, ela põe a sua essência; ela não a retira. Assim, à medida que consideramos apenas a própria coisa e não as causas exteriores, não poderemos encontrar nela nada que possa destruí-la.
Proposição 5: À medida que uma coisa pode destruir uma outra, elas são de natureza contrária, isto é, elas não podem estar no mesmo sujeito.
Demonstração: Com efeito, se elas estivessem de acordo entre si, ou seja, se pudessem estar simultaneamente no mesmo sujeito, então poderia haver no mesmo sujeito algo que poderia destruí-lo, o que (pela prop. prec.) é absurdo. Logo, à medida que uma coisa, etc. C. Q.D
Seminário da props. 4 e 5
A própria Chauí diz que a ideia de Conatus começa a ser exposta nas props. 4,5,6 e 7 da parte III da Ética.
teoria do conatus: “se funda toda a teoria da afetividade, bem como a ética e a teoria política de Espinosa” - M. Gleizer
“Vimos que as essências de todas as coisas finitas participam do dinamismo causal da substância divina produzindo efeitos em conformidade com seu grau de potência. Isto significa que todas as coisas são dotadas de uma potência de agir” - M. Gleizer
“Segue-se da tese da inteligibilidade integral do real que, assim como a definição genética da essência de uma coisa qualquer não pode envolver nenhuma contradição interna, também os efeitos que se seguem exclusivamente da essência desta coisa não podem jamais conduzir à sua destruição” - M. Gleizer
Relacionamento entre Conatus e Paixões, através do “Espinoza e a Afetividade humana”
“Com efeito, segundo a doutrina do conatus, nada do que se explica apenas pela natureza de uma determinada coisa pode conduzir à sua destruição ou diminuição. Logo, não pode conduzir à tristeza. Dessa forma, toda a afetividade ativa será caracterizada pela positividade e alegria. Já os afetos passionais, por dependerem do concurso de coisas exteriores a nós, poderão ser alegres ou tristes em função da compatibilidade ou não entre essas coisas e nós” p. 39
“Causa adequada ou inadequada, atividade ou passividade, remetem portanto à auto-suficiência ou não de um ente finito face aos outros entes finitos na produção e explicação dos seus efeitos. Assim, quando esses efeitos são as afecções que fazem variar a potência, isto é, quando são afetos, eles são denominados ações quando se explicam exclusivamente pelas leis de nossa natureza, e paixões quando sua presença em nós não se explica apenas por nós, mas depende da existência de causas exteriores complementares”
p. 37
“Com efeito, as paixões, ao resultarem naturalmente de nossa interação com causas exteriores sempre variáveis, se caracterizam pela instabilidade e trazem a marca de nossa dependência em relação ao outro, de nossa heteronomia e alienação. Com elas nosso conatus se deixa orientar do exterior pelas afecções que nós sofremos, sendo as paixões eventos que nos ocorrem mas que escapam ao nosso poder, colocando-nos à mercê da fortuna. Por outro lado, as ações, ao resultarem exclusivamente de nossa natureza, se caracterizam pela constância e trazem a marca da autonomia e do exercício plenamente eficaz de nosso conatus. Por isso, é sobre elas que repousará o projeto de liberação e a experiência da beatitude.” p. 39
Bibliografia
Spinoza, Ética. Tradução Tomaz Tadeu. Autêntica
Spinoza, Ética. Tradução Roberto Brandão.
Spinoza, Ética. Tradução Joaquim Ferreira Gomes. Relógio d’Água
M. Chaui. Espinosa uma Filosofia da Liberdade. Ed. Moderna
M. Gleizer. Espinosa e a Afetividade Humana. Ed. Zahar
L. Teixeira. A doutrina dos modos de percepção e o conceito de abstração na filosofia de Espinoza. Ed. UNESP
M. Chaui. A Nervura do real, vol II. Companhia das Letras
sábado, 14 de abril de 2018
Do Estado Civil de Pedro Mexia (V)
O Pedro Mexia era um homem muito culto, por vezes ele explanava sobre seu interesse tanto por Biologia quanto por História:
"Não posso dizer que tenha mais interesse pelo sexo do que tenho (digamos) pelo incêndio da Biblioteca de Alexandria. Acontece que o incêndio da Biblioteca de Alexandria (digamos) insiste menos." Pedro Mexia
Insiste menos
Do Estado Civil: http://estadocivil.blogspot.com.br/2007/04/insiste-menos.html
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