lunes, 3 de septiembre de 2018

Carta aos humanos

O que aconteceu ontem no Rio de Janeiro foi um gravíssimo caso de injustiça. A completa destruição de mais de vinte milhões de artefatos - entre eles fósseis, vestígios antropológicos e documentos históricos - não foi somente uma perda de valor incalculável de patrimônio histórico e científico do povo carioca, fluminense e brasileiro, mas também foi uma enorme injustiça contra a história, a memória e a identidade dos diversos povos e civilizações que tiveram parte de suas culturas destruídas ontem no incêndio do Museu Nacional.
No qual constava mais de 90.000 artefatos produzidos por civilizações indígenas brasileiras - lá estavam TODAS múmias encontradas em solo brasileiro -, 1.800 artefatos das civilizações ameríndias - incluindo múmias dos Andes -, 750 peças de civilizações mediterrâneas, 700 itens arqueológicos de civilizações do antigo Egito, 700 objetos africanos e afro-brasileiros e um acervo proveniente de povos do oceano Pacífico - incluindo uma belíssima bandeja escupida em basalto vinda de Vancouver, Canadá.
E também uma irreparável injustiça contra o trabalho de inúmeros indivíduos, entre eles arqueólogos, antropólogos, paleontólogos, funcionários, estudantes de pós-graduação, enfim, cientistas, aventureiros e cidadãos de todos os tipos.
Esta extrema injustiça foi causada pela desimportância que nossa cultura, no presente, dá à sua identidade, história e memória como brasileira, americana e humana.

Pedro Possebon, Santo André, 3 de setembro de 2018

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